O ano em que mudamos, ou ficamos para trás

Bom dia com ALEGRIA!

Os acontecimentos dos últimos dias deixaram-me sem palavras. Estive vários dias até conseguir articular dentro de mim, uma imagem sobre o momento (mais um) de mudança, que todos atravessamos.

Sim. Falo da América, e sim, falo da morte de George Floyd.

Não me identifico com “quadrados pretos”, nem “blackouts”. Desde os tempos de escola que sou fiel à teoria de que a cor preta é ausência de cor, enquanto a cor branca contém todas as cores do espectro do arco-íris. E o termo “blackout”, pelo menos para mim, significa ausência de luz.

Apesar de me sentir consternada com o que aconteceu, e sem palavras para exprimir o que sentia, publicar um quadrado “sem cor” nas redes sociais, não ia demonstrar a totalidade da minha incredulidade, nem tão pouco, a minha total incapacidade de compreensão sobre o que aconteceu. Não compreendo e acho que nunca irei compreender o que se passou. Mas de uma coisa eu estou certa, este é mais um momento de mudança nas nossas vidas, em que temos de ter a coragem para fazer muito mais, mas acima de tudo, fazer diferente. E ficar em silêncio, não é o caminho.

O ano em que mudamos, ou ficamos para trás

Desde criança, que há uma parte em mim que acredita que é possível contribuirmos para um mundo melhor. E eu acredito que todos juntos, conseguimos fazê-lo. Basta querermos com todo o nosso coração. Basta acreditarmos com todo o nosso ser. Basta unirmo-nos.

2020 tem sido um ano de gigantes processos e mudanças a nível mundial. Para todos! Sem excepção. Já te deste conta disso? Tudo circula muito mais rapidamente. Tudo se espalha muito mais depressa. Seja um vírus que vira a nossa vida do avesso, que faz parar o mundo inteiro e nos faz repensar na forma como vivemos, e como as coisas mais básicas, são realmente importantes. Respirar! Já te deste conta de como respirar sem máscara e livremente, era uma bênção?

Ou seja ainda uma notícia, que eu continuo sem palavras para a descrever, que se espalha pelo mundo num piscar de olhos e nos deixa todos a repensar no valor da vida humana, e na forma como agimos, pensamos, e educamos.

George Floyd foi um ser, que disponibilizou a sua vida, para que muitas mais pudessem viver e viver em liberdade. A sua morte, foi um imenso canal de luz que abriu as portas para uma mudança colectiva de consciência. A consciência humana como um todo, como ser humano, como portadores de vida divina que TODOS NÓS somos, sem excepção.

Hoje, olho para George como uma imensa rosa branca, que se abriu e mostrou ao mundo, que já basta. Basta de fingirmos que não vemos, que não sentimos, que uns são maiores ou piores do que outros.

Todos nós, cada um de nós, é importante e conta. A vida que habita em cada um de nós, é divina e sagrada, e nada nem ninguém tem o direito de lhe colocar um fim, ou menospreza-la.

No mundo actual em que vivemos, já não há espaço para este ou aquele continente. Não há lugar para esta, ou aquela sociedade, ou ainda aquela velha etiqueta de mais desenvolvido, ou menos desenvolvido. Basta! E atrevo-me a dizer, que aqueles que continuarem agarrados a este tipo de pensamento e conceitos, em breve perderão o seu lugar “neste comboio”.

Mudar para uma consciência colectiva

A facilidade com que viajamos, adquirimos produtos do outro lado do mundo, ou ainda a rapidez com que nos mudamos e passamos a viver e a trabalhar num país que não o nosso de origem, faz-nos cidadãos do mundo. Torna-nos globais. UM todo.

Se todos temos uma cor de pele e cabelo diferente, se falamos diferente, vestimos diferente, trabalhamos de forma diferente, ou temos costumes diferentes, qual é o problema?

É como olhar para uma planta e pensar que a raiz, o caule, as folhas, pétalas, sementes e frutos são partes isoladas. É como acreditar, que uma parte da planta é menos importante que outra.

E se por exemplo, viesse alguém que dissesse que a raiz nãos serve para nada, porque está debaixo do solo, não se vê, logo não interessa e deve ser eliminada? Faz sentido? Claro que não!

Em medicina natural, todas, mas TODAS as partes de uma planta são usadas para produzir medicamentos, pois todas elas têm propriedades terapêuticas valiosas, independentemente da sua forma, cor ou localização.

 Esta pode ser uma visão radical, mas por vezes precisamos de radicalismos para melhor entendermos e integrarmos algo.

Com isto tudo, lamento pelo polícia envolvido. Lamento pela sua incapacidade de ouvir, de escutar, sentir. Lamento pela sua insensibilidade. Lamento pela sociedade que o criou. Que criou uma “máquina” isenta de sentimentos, dormente, incapaz de parar e perceber o que estava a fazer, num momento tão crucial.

Mas no fundo, agradeço pelos factos. Lamento toda a dor envolvida, mas agradeço-a, porque é através da dor que evoluímos. É através da perda que crescemos e damos valor ao que realmente importa. Agradeço por este ser, que ofereceu a sua vida, para que o mundo tivesse a oportunidade de despertar e evoluir.

Que este enorme portal de luz que a morte de George nos proporcionou, abra os nossos corações para o amor, expanda as nossas consciências para uma comunidade mundial, onde todos somos importantes, onde todos contribuímos para um bem comum.

Com amor, com respeito, em comunidade. Com gratidão pela vida.

Mas neste mundo, o racismo aparece não só em questões de cor de pele, mas recebe também outros nomes. Ele existe sob a forma de diferenças de prática religiosa, ou ausência dela, diferenças sociais, status e etiquetas de roupas, profissões “maiores” ou “menores”, padrões de beleza…. em muitos outros formatos e nomes.

Que esta morte não seja em vão. Que não nos fiquemos por quadrados “sem cor”. Que não nos calemos e nos limitemos a “blackouts”. Que permitamos que a luz que há em cada um de nós se una sem limites, nem barreiras, à luz daquele que nos está mais próximo, e ao outro, e mais outro, até que sejamos um todo. Como uma planta. Inteira e bela na sua diversidade.

Vamos dar um passo em frente?

Vamos nos educar e reformular o nosso modo de aceitar o próximo?

Vamos dar valor e respeitar o sagrado e o divino que cada um de nós possui – a vida?

A escolha e a possibilidade de fazer melhor, está agora, mais do que nunca, do nosso lado.

Agradeço a tua presença, e desejo que com este post tenha acrescentado um pouco mais de luz e cor.

Desejo-te uma semana muito feliz.

Com amor,

O ano em que mudamos, ou ficamos para trás

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