Uma caixa de surpresas

A vida é das coisas mais maravilhosas que existe. Desde que nascemos, até ao momento em que o nosso corpo deixa de ter vida, recebemos todos os dias a dádiva de presenciarmos esta maravilha em todo o seu esplendor, desde as mais minúsculas coisas, até às mais grandiosas.

Todos os dias tudo muda. E todos os dias tudo está diferente. Não há um único dia que seja igual ao anterior e não há um único dia em que eu possa ter a certeza do que vai acontecer. Se é assustador? Sim, poderá ser. Se é maravilhoso? Sim, também poderá ser.

Tudo depende da forma como estou na vida; na maneira como trago a minha presença à vida, a cada instante. Quem me conhece bem, sabe que eu gosto (já gostei mais, muito mais!!!) de ter as coisas todas organizadas. Já fui daquelas pessoas que planeava tudo ao milímetro. Que gostava de ter tudo muito arrumadinho e no sítio certo. Acho que raiei alguma psicose com as arrumações… mas seja lá o que foi, a vida encarregou-se de me mostrar que não era bem por ali o caminho.

Na corda bamba…

Houve uma altura na minha vida, em que a cada programação que fazia para um determinado momento, tudo era desfeito num instante. Aquilo que eu tinha planeado fazer, era impedido de se realizar num piscar de olhos. Aconteceu uma, aconteceu duas, aconteceram várias vezes e sentia-me como que numa corda bamba da vida, sem saber o que viria a seguir. Até que desesperada ergui as minhas mãos aos céus (energéticamente falando) e disse “Basta!!! Eu rendo-me.” A partir desse dia, simplesmente deixei de fazer planos. Continuo a ter ideia daquilo que quero alcançar/fazer, mas deixei de ter uma atitude firme, para passar a ser mais tolerante e sobretudo a ter uma atitude de observadora. A cada novo episódio desafiante que surge na minha vida, tento ver o que ele me traz de novo, mas sobretudo tento perceber o que é suposto eu aprender com ele. Nem sempre é fácil, pois não… Mas de todas as vezes que olho para trás e consigo desprender-me desse momento, vejo que tudo aconteceu no momento exacto e levou o tempo certo para acontecer. É um caminho de constante aprendizagem e adaptação.

Tudo passa!

Os momentos bons são fáceis de viver. O pior são os outros… aqueles que têm alguma dor associada. Mas uma coisa te posso assegurar, tudo passa (!), basta não nos agarrarmos à dor.

Sempre que nos agarramos à parte negativa de uma situação, e nos permitimos viver essa dor dando-lhe maior destaque, estamos inconscientemente a alimentar essa mesma dor, prolongando-a (muitas vezes sem um fim à vista). Mas se por outro lado, decidirmos que OK, estou desconfortável, não me sinto bem, muito antes pelo contrário sinto-me mesmo mal com isto, mas acredito que isto vai passar, que se isto está a acontecer-me agora, é porque faz parte da minha aprendizagem e vai chegar o dia em que eu vou conseguir ultrapassar esta dor, este desconforto, esse dia chegará mais cedo do que imaginamos.

Quando morre alguém que nos é muito querido, pode parecer que o nosso mundo desabou, que não há mais motivo para nos alegrarmos, e sim de certa forma isto quase que é a verdade, mas temporariamente. Quando o meu pai morreu, a ideia de nunca mais o ver, de nunca mais voltar a falar com ele inundou todo o meu ser de tristeza (ainda hoje dói um bocadinho…), mas naquela altura houve alguns amigos que me lembraram o quanto isto é a vida: nascer, viver, celebrar, sofrer, morrer… a ordem nem sempre é a mesma, mas começamos e terminamos todos da mesma forma, nascemos e morremos. Acredito muito numa aprendizagem que fui recebendo ao longo da vida, de que o nosso corpo é meramente um suporte para a nossa alma experienciar a vida na Terra e evoluir (agradeço muito a uma amiga especial, por me ter recordado este ensinamento, nesse momento complicado). E foi nesse momento de dor, após o dizer adeus ao meu pai, de forma física, que me dediquei a construir uma relação de gratidão e amor com as memórias que tinha com ele. Em vez de me deixar levar pela dor e pelo sofrimento, foquei-me na parte bonita e positiva da sua vida em conjunto com a minha. E à medida que o tempo vai passando, essas memórias boas que surgem são cada vez mais claras e ricas em pormenores.

A gratidão faz milagres

Ou seja, ao não alimentar a dor e sofrimento pela morte do meu pai, criei o espaço para que através da gratidão por tudo o que ele me proporcionou ao longo da vida, gerasse uma onda de cura em mim. E assim este momento de tristeza, passou a ser vivido com mais serenidade, mais aceitação, permitindo-me libertar a dor e continuar o meu caminho, guardando apenas as boas recordações dele.

A dor, mesmo quando é emocional, impede-nos de avançar e é só quando a substituímos por gratidão e boas memórias que a nossa vida avança novamente. É o chamado “fechar de um capítulo” para começarmos um novo.

Uma prática de gratidão

É por acreditar que a vida é eterna, e que este corpo que possuímos é somente uma embalagem (que temos de amar muito!), que te convido a pegares numa dor. Aquela dor que te incomoda, que te limita e te impede de fazer algo.

Em vez de te agarrares a ela e de a alimentares, olha-a de forma isenta, sem julgamentos, sem rancores, sem medos ou tristezas.

Recorda todas as coisas boas existentes nessa situação (há pelo menos uma!). Recorda todos os bons momentos (mesmo numa doença prolongada, há um momento positivo!). Recorda todas as pessoas que te animaram e te ajudaram/ainda ajudam. Agradece a cada uma delas. Agradece cada momento positivo, cada situação agradável, por mais pequenina que possa ser. Quanto mais gratidão sentires por cada uma delas, maiores elas se tornam. Pode levar algum tempo, mas dá o teu melhor para sentires gratidão genuína, daquela que vem do coração e faz todo o teu corpo vibrar. Quando menos esperares, vais perceber que a dor diminuiu; até que chegará o dia em que ela quase não existirá. Sim, ela não desaparece na totalidade; simplesmente torna-se como que uma cicatriz, uma marca n@ guerreir@ que és, com a diferença de que já não te irá impedir de avançares e continuares a viver a tua vida, com esperança e amor.

Porque a vida é assim mesmo, uma caixa de surpresas que a cada novo dia se abre, cheia de incertezas, mas também cheia de milagres e maravilhas prontas a serem vividas, por ti – só depende do lado que escolheres para as receberes.

A ti que me acompanhas, desejo-te um bom dia e agradeço a tua presença.

Com amor, Teresa

Gratidão pela imagem: @jplenio

4 thoughts on “Uma caixa de surpresas

  1. Sim Teresa a vida nos ensina muito, perdi a minha mãe vai fazer 17 anos com 59 anos de idade, e um irmão fez um ano em Janeiro com 54 anos. E outras coisas na minha vida, mas temos que ter Fé e seguir em frente…
    Obrigada, bjs

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    1. Abraço-te querida Liliana 💖 Quem parte fica para sempre no nosso coração, mas o caminho faz-se caminhando em frente, um passo após o outro.⭐️

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