Nutrição consciente

Cada vez mais se fala na alimentação vegetariana em detrimento da alimentação à base de carne e peixe, para se obter um modo de vida mais saudável e sustentável. Eu prefiro optar por uma alimentação consciente, aceitando e respeitando cada uma de todas as outras variantes existentes.

Ao longo da minha vida, lembro-me de ter assistido a épocas em que comer sardinha é que era muito bom, depois comer ovos é que passou a ser muito bom, e assim por diante. Quando assistia à mudança do alimento “da moda”, ficava sempre com a sensação de que havia ali marosca… que alguém devia andar a lucrar com aquela promoção, e mais tarde despromoção de determinado alimento.

Enquanto estudava Medicina Chinesa aprendi que todos os alimentos à nossa disposição são bons e são maus, dependendo da dose utilizada; falo de excessos e défices no seu consumo, claro. Até mesmo o álcool e o tabaco têm os seus benefícios, quando usados de forma terapêutica.

Observando o lado ecológico e sustentável para o planeta Terra, uma alimentação vegetariana tem grandes vantagens e está provada que é muito mais saudável. Basta que se saiba comer correctamente. E olha que não é por não comeres peixe ou carne, que vais ficar com défice de proteínas. Não! Há muitas formas de consumires proteína em forma vegetal, que é ainda mais saudável que a proteína animal.

Mudar naturalmente

Há uns anos atrás passei por uma fase de mudança natural na minha vida; acho que todas as transições ao longo da minha vida, se dão de forma natural. 🙂 Sem querer, nem o desejar (pelo menos de forma consciente) fui rejeitando a carne. Lembro-me de um dia estar a almoçar uns bifinhos de peru com cogumelos (feitos por mim), e dar por mim a fazer “croquetes” com os ditos. Nesse dia só consegui comer os cogumelos e o arroz. Mais tarde, após comer um hambúrguer num jantar com amigos (não no MD!) fiquei muito mal, e achei que estava com uma intoxicação alimentar.  Felizmente passou sem ir ao médico, mas a partir daí, cada vez que tentava comer carne ficava muito maldisposta e cheia de cólicas. Um mês e pouco mais tarde aconteceu o mesmo com o peixe… Entre ir ao médico confirmar se estava tudo bem comigo e adaptar-me a um novo estilo de alimentação, perdi peso, pois não sabia o que comer. E sim! Eu estava muitíssimo saudável e não havia nada de errado comigo.

Ou seja, tornei-me vegetariana naturalmente! Tive de aprender a cozinhar de uma nova forma e descobri que até conseguia ser muito mais criativa na confecção deste novo tipo de alimentos. Rapidamente recuperei o peso que tinha. Voltei a repetir exames e análises ao fim de um ano, e para enorme espanto (dos médicos sobretudo!), eu estava ainda mais saudável! O meu organismo estava em plena regeneração de pequenas maleitas do passado.

Passei por uma gravidez aos 44 anos em plena fase vegetariana, totalmente apoiada pela equipa médica, sempre com análises sanguíneas excelentes, e só no final da gestação tive vontade de comer peixe. Comi, soube-me muito bem e correu bem – não tive má disposições!

Após o parto e com o amamentar, comecei a ter uma vontade enorme de comer carne…. Se bem que a primeira vez não correu muito bem, as seguintes foram tranquilas e assim voltei a consumir proteína animal.

A Clarinha nasceu super saudável e só comeu carne, ou peixe depois dos 14 meses e nunca bebeu leite de origem animal (a não ser o meu – eheheh) – esta foi uma opção nossa, enquanto pais e apoiada pela pediatra. Hoje em dia consome proteína animal de vez em quando (grata ao Colégio CV que disponibiliza ementa vegetariana!) e bebe “leite” de amêndoa, ou coco. E sabes que mais? É saudável, alta e plena de energia!

Escuta o teu corpo!

Neste momento mantenho uma alimentação mista, mais por questões de praticabilidade (tenho um marido que sente falta da “chicha” e do peixinho no prato…), mas sempre que posso, como vegetariano. E se há dias no verão em que o meu corpo pede-me para só comer fruta, também o faço. Sem culpas e com enorme prazer.

E sinto que é assim mesmo que tem de ser: escutar o meu corpo. Sentir as suas necessidades, oferecer-lhe aquilo que ele necessita. De forma consciente, é claro!

Os extremismos nunca foram bons para ninguém e a magia está em saber dançar a dança da vida, de forma consciente, saudável, com uma alimentação equilibrada, que te faça sentido e que traga benefícios para o ambiente, mas sobretudo para ti!

Num planeta onde as fezes de vaca causam mais poluição que muitos carros juntos, mas que parte dessa mesma poluição, leva a que alguns dos vegetais que consumimos fiquem também poluídos, sem falar nos maus tratos que alguns animais (mamíferos e peixes) sofrem para que possam rapidamente abastecer mais mercados, ou ainda na falta de informação (…quero acreditar que sim…) que existe na produção hortícola, usando e abusando de químicos, para que também eles possam servir de forma mais rápida  o consumidor…. Nada como fazer um uso consciente dos meios, para te nutrires de forma mais saudável e equilibrada possível.

E caso tenhas dúvidas, cada vez há mais nutricionistas formados em alimentação vegetariana (e não só!), que te podem ensinar a tirar o maior partido do reino vegetal.

Com isto tudo posso dizer-te, em forma de resumo, que apesar de consumir alguma proteína animal, é com a alimentação vegetariana que me sinto mais leve e energizada.

E tu, como te nutres? Também escutas o teu corpo com atenção e amor?

Caso ainda não o faças, desejo que este post te tenha inspirado e encorajado a escutares o teu corpo, de forma activa e atenta, pois ele melhor que ninguém, sabe o que é melhor para ti. Se já o fazes, Fantástico! É esse o caminho para uma saúde excelente!

Agradeço a tua presença e desejo-te um dia resplandecente,

Teresa

Sabias que:

  • Sementes de cânhamo – 31,6 g
  • Amendoim – 25,4 g
  • Gérmen de trigo – 25,8 g
  • Amêndoa – 21,6 g
  • Castanha-de-caju – 19,6 g
  • Sementes de chia – 16,5 g
  • Aveia em flocos – 13,5 g
  • Grão-de-bico – 8,4 g
  • Feijão-manteiga – 7,8 g

(proteínas por 100 g de alimento cozinhado ou pronto a consumir)

*informação disponibilizada em “Cozinha Vegetariana” de Gabriela Oliveira*

Gratidão pela imagem: @rawpixel

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