Entre Halloweens e Santos

Quando era pequena adorava o Dia de Todos os Santos. Primeiro porque era feriado e não havia aulas e depois porque havia a tradição de ir com amigos pedir o “pão por Deus”.

O meu pai não achava graça nenhuma irmos de porta em porta, pedir. Mas era uma alegria e lá ia eu com a autorização da minha mãe e a bênção dos meus avós. Adorava aquele dia, porque para além de corrermos “meia” Paço de Arcos (só tínhamos autorização de irmos à rua principal e pouco mais…), havia pessoas muito generosas e que nos mimavam com doces e até alguns tostões. Naquela época o consumo de doces estava reservado aos dias de festa, daí que fosse um delírio chegar ao fim da manhã com um saquinho de pano cheio de gulodices. Lembro-me que adorávamos ir à mercearia do Senhor Seco, na Rua Costa Pinto, onde éramos sempre recebidos com muita generosidade e claro, brindados com imensos doces.

Os anos foram passando e lembro-me que quando surgiu o Halloween, não achava graça nenhuma ao evento. Que estranho… andarem à noite com máscaras de bruxas, fantasmas e etc… isso era no Carnaval!

Também nunca fui de idas ao cemitério, pois acredito que há mais vida para além deste corpo físico que possuímos e prefiro antes rezar pela alma de quem já não está connosco. Mas também sou sincera, rezo mais noutros dias, do que neste.

E eis que surge o Halloween…

Quando mudámos de casa, havia uma vizinha francesa com filhos da idade dos meus, que criou a tradição do Halloween na rua. Naquela época eles estavam na primária e o costume de irem para a escola mascarados para celebrarem o Halloween, começou a ganhar espaço, apesar de eu não achar muita graça.

Quando a tal vizinha surgiu com a ideia, eu ainda argumentei que não tínhamos vestimentas, mas ela ofereceu-se para emprestar, pois tinha muitas lá em casa (e olha que era verdade!).  E lá andavam eles pelas ruas do Bairro a pedirem “doçuras ou travessuras” de porta em porta, com ela e mais um ou outro vizinho adulto a acompanha-los. Ao regressarem a casa de sorriso de orelha a orelha, cheios de guloseimas havia uma parte de mim que ficava aborrecida com tantos doces, mas por outro lado lembrava-me da alegria que também sentia, quando tinha a idade deles e olhava para o “tesouro conquistado” ao fim deste dia. Enfim… dias não são dias e o importante é divertirem-se de forma saudável.

Já alguns anos passaram e os grupos de crianças acompanhados por adultos na noite de Halloween, continuam a tocar à campainha para pedirem doces. E caso não se abra a porta, mesmo que não esteja ninguém em casa, acabamos por ficar com a entrada, o carro, os canteiros cheios de papel higiénico como forma de protesto. E com isto deixou de haver o “pão por Deus” …, pelo menos aqui no Bairro.

Mas de onde vem o Halloween?

Este ano tive curiosidade de aprofundar como surgiu esta celebração e descobri que apesar de ter uma origem pagã, o Dia de Todos os Santos e o Halloween andam de mãos dadas em perspectivas diferentes, mas com uma base comum, ou seja, manter as almas tranquilas e em paz.

Esta festividade de origem pagã nasceu com o povo Celta, há mais de dois mil anos. Neste dia celebrava-se o “Samhain”, ou o fim do verão, altura em que segundo eles os espíritos dos mortos andavam mais presentes sobre a Terra.

O Reino Unido adoptou este dia celebrando o dia de todos os santos, chamando-lhe Hallo (santo) Eve (véspera), que mais tarde passou a ser registado como Halloween. Com a emigração da Europa para o resto do mundo, os costumes fundiram-se e o Halloween foi ganhando mais expressão. Hoje em dia Portugal continua a celebrar o Dia de Todos os Santos no dia 1 de Novembro, mas a verdade é que cada vez há mais crianças e jovens e celebrarem o Halloween na véspera.

O simbolismo no Halloween

Os Vampiros (morcegos), os Fantasmas, as Bruxas (vassouras e aranhas) e os Zombies têm origem Celta, e estão relacionados com o seu receio destas almas assombradas estarem mais presentes na Terra neste dia.

Os Celtas acreditavam que se oferecessem Doces aos espíritos maus neste dia, conseguiam acalma-los. Há quem diga que mais tarde a Igreja incentivou os seus membros a pedirem alimentos de casa em casa, em troca de uma oração pela alma dos mortos.

Os Celtas usavam Máscaras Assustadoras, para que os espíritos maus os confundissem com outros espíritos maus, e assim os deixassem em paz.

As velas acesas dentro de nabos esculpidos ou abóboras esculpidas, representavam as almas do purgatório, pelo que eram usadas para afastar os espíritos maus. Mais tarde os nabos foram substituídos por Abóboras.

Este ano vou inovar!

Para além dos doces que costumo ter de reserva para oferecer aos miúdos, afim de evitar toda aquela abundância de papel higiénico à porta de casa, vou inovar. Sim, este ano deixei-me inspirar pelo espírito do Halloween e dediquei-me à parte decorativa da casa.

Desta vez, para além dos doces vão haver uns pequenos fantasmas à porta. São “home made”, são muito fáceis de fazer e baratinhos. Pode ser que um destes anos me dedique também a pregar umas partidas aos “piquenos”, como num vídeo que o meu filho me mostrou o ano passado. Eh Eh Eh Eh Eh! (vê mais abaixo)

Folhas fantasmas_5.jpg

E tu, como costumas celebrar o Halloween ou o Dia de Todos os Santos?

Até já! Doçuras… ou travessuras?…

Teresa

Gratidão pela imagem principal: @puregeorgia

Nota: “Folhas fantasmas” inspiradas no Pinterest de houseofstrand.blogg.se

 

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