Nutrir a Criança-Interior

Ultimamente tem havido um crescente falar sobre a criança interior, sobre a importância de cuidar dela e de a nutrir. Já te tinhas apercebido? Sabes do que se trata?

Todos nós nascemos, crescemos e (felizmente!) continuamos a crescer. Passámos pela infância, pela adolescência e chegámos à idade adulta. Pelo caminho e porque assim ditavam as regras da boa educação, muitos de nós adultos e jovens adultos, recebemos a instrução/educação de que a criança não incomoda. Não deveria incomodar ou interromper o adulto. Uma criança segundo os padrões da boa educação, estava quieta, sossegada, com uma pose angelical e inspirava, ou deveria transparecer uma atitude calma e pacífica e os seus comportamentos deveriam ser exemplares, chegando mesmo a desejar-se que tivesse comportamentos de pequeno adulto, como por exemplo estar à mesa da refeição com maneiras adequadas e saber comer de faca e garfo (entre outras). Consegues identificar-te, ou reconhecer alguma destas situações?

Eu posso contar-te que tenho um episódio que faz parte das relíquias da infância, relacionado com esta coisa de saber comer de faca e garfo. Contam que numa ida ao restaurante, eu pirralha de pouca idade (talvez 4 anos) perguntei “Papá, com quais talheres como? Com os de peixe, ou com os de carne?” (a refeição era bacalhau) E ao receber a resposta que deveriam ser os de peixe, respondi: “Não.., bacalhau não é peixe. O bacalhau anda na mercearia!” (eheheh) Pois é, também recebi uma educação “apertada”, apesar de considerar que os meus pais sempre fizeram o melhor por mim e o melhor que sabiam, e a eles estou grata por me terem transmitido tantas coisas boas.

Mas por outro lado, seja pela educação familiar que nos foi transmitida ou pela que foi transmitida na escola e pela sociedade, fomos educados à semelhança de um pequeno adulto e sobretudo com a visão no futuro de “o que querer ser quando for grande”. Passámos grande parte da nossa infância e adolescência a imaginar como seríamos no futuro. Como seria quando tivéssemos 18 anos. Ser adulto era algo de muito importante e pelo qual muito se ambicionava! E quando finalmente lá chegámos… Enfim, sabes a resposta. 🙂

Apesar de todas as brincadeiras fantásticas da infância, de todos os atrevimentos da adolescência, a “sombra” da seriedade e da “boa-aparência” esteve sempre presente, umas vezes mais leve, outras nem por isso. E a criança que existe dentro de cada um de nós, foi ficando apagada, adormecida. Quantos adultos por aí há que têm um comportamento tão sério, que não conseguem soltar uma boa gargalhada, ou não entendem/aceitam uma partida que lhes seja feita? Pois é… a criança interior deles precisa de ser libertada e acordada!

É que isto de ser adulto não tem de ser aborrecido. Não tem de ser um acto sério. Atenção (!) não confundir com falta de seriedade no desempenho de funções laborais, sociais ou familiares. Eu posso desempenhar as minhas funções nas diversas esferas de forma séria, impecável, mas posso ter uma atitude jovial. Uma criança interior vivida e saudável, é aquela que permite que o adulto desfrute da parte boa dos momentos. Que seja optimista. Que consiga encontrar soluções onde não parece haver uma. Que crie futuros maravilhosos. Uma criança é naturalmente criativa e não conhece limitações. Atreve-se. Experimenta. Descobre e aprende.  Diverte-se com as coisas mais simples da vida e retira delas um prazer imenso.

Em muitos adultos, estes comportamentos por vezes ficaram um pouco esquecidos, ou dormentes. Quem é que te disse que em adulto dar uma boa gargalhada, que dançar como se ninguém estivesse a ver, pular, saltar, correr só porque sim e até mais não, era errado? É tão bom!!! Quem disse o contrário não percebia nada do assunto. É tudo uma questão de saber quando o fazer.

Lembras-te daquelas coisas que fazias e que te davam imenso prazer? Já experimentaste fazê-las novamente, agora em adulto? Experimenta! Vais ver que te vais sentir rejuvenescid@.

Continuar a criar espaço para que estes comportamentos continuem a existir, faz com que a tua criança interior seja nutrida, que ganhe energia e que se sinta feliz. E se tiveres uma criança interior feliz, serás também um adulto muito mais feliz, com mais confiança em ti e com capacidades de te auto-realizares.

Vou contar-te uma coisa…. No outro dia fui ao aniversário do filho de uns amigos, num daqueles espaços com insufláveis e piscinas de bolas. A piscina de bolas sempre foi uma coisa que eu adorava experimentar…! E como o espaço estava praticamente só por nossa conta, resolvi juntamente com uma amiga (após uma pequena autorização da pessoa responsável), entrar na tal piscina de bolas. Oh meu Deus!!!… Foi tão bom! Tão bom! Tão bom! Eu que estava em pleno jet lag foi como tivesse recebido uma enorme garrafa de oxigénio, ou um gigante shot de vitaminas. Senti-me renovada. A minha criança interior rejubilou!

Cria regularmente na tua agenda, espaço para momentos de soltar a criança que há em ti. Não precisas de grandes investimentos. Quanto mais simples, melhor!

Vai sozinh@, ou com amig@s. Com amig@s é mais fácil e a energia é gerada muito mais facilmente. Ou então, vai com uma criança e brinca com ela. Brinca como ela! Se for ao ar livre é ainda melhor. Sê novamente uma criança, viva, livre e livre de julgamentos. Vais ver que todas as tuas células vão vibrar e a tua alma vai agradecer!

Dou-te uma dica: Experimenta fazer com amigos aqueles jogos tradicionais que fazias em criança. São excelentes e as gargalhadas que daí surgem, são pura fonte de vitalidade.

Não há melhor mãe para a tua criança interior, do que tu própri@. Cuida bem dela. Mima-a. Ama-a e o retorno dessas acções serão como que uma bênção para ti, uma cura de rejuvenescimento.

Agradeço a tua leitura e desejo-te um dia maravilhoso.

Até breve,

Teresa

Gratidão pela imagem: @senjuti

2 thoughts on “Nutrir a Criança-Interior

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